de pequena

De repente me ocorre que aquilo que tão bonito por muito tempo achei, é uma parte dele que morreu quando parti. Como tantas partes minhas que já morreram com tantos outros que partiram, pertinho de mim, d'uma vida nossa. Não sei muito bem se é saudade, e o cheiro não é igual. Talvez apenas uma indisciplina na minha [não]linearidade como amante. Amo tantos e amo um só. Tanto tempo que passa, tanto tempo que fica. Nosso tempo; e já não somos os mesmos. Seu traço, mesmo que em memória, nunca me fugirá. Meu rosto pelas suas linhas no papel, o cinza do seu grafite que esfumou num olhar meu que só você viu. E por tanto tempo só você riu. Um olhar primeiro em tantas coisas. Guardo em mim pedaços daquela menina de olhos redondos e boca de incipiente. Embora hoje já tenha aprendido que somos todos aprendizes, carrego comigo uns anos de ensaio. Não me sinto pronta para estrelar, mas minhas mãos já aprenderam o caminho. Eu diria, se pudesse ser ouvida: não deixe morrer o que há de belo e de dom, eu já cuidei em ser a parte ruim de nós dois. E disso nós sabemos tão bem... Sei que não desenhou nenhuma outra, mas já é hora.

3 afago[s]:

carolinda said...

bah jú, pensei em copiar ali um pedaço,uma frase, a que me foi mais impactante, mas não consigo separar nada, porque frase a frase, me vai arrepiando os poros, quase que minha pele faz um braile da tua escrita, de tão linda e sensível, fico pensando, como eu não pensei nessas coisas com este olhar.

Ludmilla said...

a gêmea inteligente, linda e inspirada. ai. que orgulho. <3

senhorita rita said...

Já te aconteceu de sentir saudade de alguém que você não sabe quem é? Comigo, acontece com frequência.
Seu texto me fez sentir esse tipo de saudade - que é triste, mas pelo menos é viva. Um beijo.